Café filtrado ou café expresso, qual o melhor?

Café filtrado ou café expresso, qual o melhor?

O amor por café é um só, mas o clássico querido pelos brasileiros pode se apresentar de diversas formas. Conheça agora um pouco mais sobre suas formas de preparo mais comuns e suas diferenças

Sem dúvidas o café coado é a forma mais popular no Brasil, sendo o escolhido de 93% dos consumidores da bebida, entretanto isso não é visto apenas aqui em terras tupiniquins: no Japão e em países escandinavos coar o café também é muito comum. Já o café expresso, de origem italiana, é o mais comum na Europa. O conceito de café expresso está ligado à palavra de origem italiana “spremere”, já que a principal característica desse preparo envolve "espremer" o café sobre uma pressão de água.

Apesar de ambos se tratarem do mesmo tipo de bebida, o famoso cafézinho, há significativas diferenças entre as formas de preparo, o que resulta em produtos finais com características muito diferentes.

Modo de preparo do café

A forma como as bebidas são preparadas é a diferença mais evidente e facilmente percebida entre elas. O café coado, assim como o próprio nome já diz, é feito utilizando-se um filtro de papel ou tecido para coar o pó acrescido de água. É a forma mais tradicional de preparo e também a mais simples, podendo ser feito manualmente ou utilizando-se apenas uma cafeteira simples.

O preparo do expresso necessita de uma máquina específica. O café moído é colocado em um filtro metálico, compactado e empurrado pela água em alta pressão, sendo essa sua principal característica.

Proporção de água e temperatura

A quantidade de água utilizada nas bebidas influencia muito em suas características finais. O expresso utiliza em seu preparo tradicional a proporção de 1g de café para 2g de água aquecida a 90º C associada a uma pressão de 9 bars. Servido em uma dose de 30ml, segundo padrão de qualidade internacional, o resultado é uma bebida concentrada, com muito conteúdo em uma extração pequena.

Tratando-se do café coado, a proporção é bem diferente. Nesse caso, é utilizado em média 1g de café para 12 a 16g de água aquecida entre 90 e 95º C, proporcionando uma bebida muito mais diluída e suave.

Características da bebida

Sabores mais básicos do café são percebidos em bebidas mais leves, diluídas, enquanto bebidas mais concentradas trazem características mais acentuadas e consistentes. O café coado, pela maior quantidade de água, caracteriza-se como uma bebida mais suave, com aroma típico e sabor agradável ao paladar que agrada facilmente a diferentes consumidores.

A máquina de expresso potencializa as características do café, de forma que o expresso é muito rico e complexo em sabor. Por conter menos água, é uma bebida muito mais concentrada, densa, com maior quantidade de sólidos e óleos essenciais do grão dissolvidos, proporcionando uma bebida intensa em todos seus atributos, como acidez, doçura, sabor e aroma. Além disso, costuma apresentar uma espuma que não dissolve mesmo quando mexido.

Quantidade de cafeína

Muitas vezes acredita-se que por o café expresso ser mais denso e intenso em sabor e corpo ele também possui maior taxa de cafeína, entretanto isso não é verdade. A quantidade de cafeína da bebida se relaciona, para além do tipo de grão e moagem escolhida, principalmente com o tempo que a água fica em contato com o café.

Geralmente o tempo do café ser coado gira em torno de 2 a 3 minutos, enquanto o preparo de um expresso leva de 20 a 30 segundos. Dessa forma, a cafeína é melhor extraída no café coado, o qual apresenta em média de 150 a 300 mg de cafeína por xícara, frente a uma dose típica de expresso que apresenta de 90 a 200mg de cafeína.

E no final das contas qual dos dois é o melhor? Coado ou expresso? Na realidade, a resposta correta é “nenhum”. Nesse caso não há superioridade entre as duas modalidades, mas sim uma variação de preferência segundo o gosto de cada um que aprecia a bebida.

Seja coado ou expresso, uma coisa é imprescindível para apreciar uma excelente bebida: a qualidade do café. Nossos cafés especiais possuem origem 100% arábica, com grãos selecionados, ideais para qualquer preparo e prontos para tornarem o seu cafezinho uma experiência inigualável.

 

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Conheça a história do Brasil com o Café

Conheça a história do Brasil com o Café

Do ápice ao declínio e retorno à estabilidade, a relação íntima da cultura cafeeira com a história brasileira mostra o quanto essa bebida está muito mais presente em nossas vidas do que se pode imaginar.

Desde que o café chegou ao Brasil suas histórias se fundiram de forma indissociável. Uma vez tendo se tornado em dado momento o principal produto de exportação nacional o café perdurou permanentemente como destaque de produção e exportação nacional até os dias atuais. Falar sobre café é falar sobre a nossa história como brasileiros em passado, presente e futuro.

De onde vem o café

De tão querida que é essa bebida no nosso país muitos devem imaginar que o café é um fruto originalmente brasileiro, mas isso não é realidade. O café tem suas origens na África, mais especificamente nas planícies altas da Etiópia, e segundo lendas contadas foi descoberto por pastores que percebiam que suas cabras ficavam significativamente mais agitadas quando comiam esses frutos.

Saindo da África, o café passou a ser cultivado no mundo árabe, e é nesse momento que acredita-se que essa bebida recebeu seu nome. Derivado da palavra qahwa, que quer dizer vinho, o café foi assim nomeado em associação à coloração resultante de sua infusão.

Caminho até o Brasil

O consumo da bebida se difundiu na Europa, fazendo o mesmo, portanto, com o cultivo da planta que a originava, entretanto esse consumo ainda se mostrava muito singelo.

Por volta dos anos de 1700 mudas foram trazidas pelos holandeses da Companhia das Índias Ocidentais ao Suriname, onde introduziram esse cultivo. De lá, o café passou a ser cultivado também na Guiana Francesa e, dela, chegou ao Brasil em 1727, em Belém do Pará.

Em pouco tempo as modestas plantações da região Norte se expandiram para o Sudeste e em 1760 o café chegou ao Rio de Janeiro. Com boas condições climáticas e solo propício, seu plantio e cultivo deu muito certo no chamado Vale do Paraíba, região que envolve os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e sudeste de Minas Gerais. Com o passar do tempo esse cultivo foi se expandido para o oeste paulista, onde encontraram a “terra roxa”, também excelente para a cafeicultura.

O Ouro verde

Em franca expansão, as fazendas de café tornavam-se cada vez maiores e mais produtivas. O Brasil viu no café a oportunidade de sustentar sua economia, dado que a exportação de produtos anteriormente importantes para a economia já não mais gerava amplo lucro e o ciclo do ouro já estava se esgotando. Houve um grande investimento na produção cafeeira e dentro de pouco tempo os cafezais se tornaram a atividade econômica mais importante do país.

A partir da segunda metade do século XVIII se inicia a revolução industrial e, com ela, o café passa a ser amplamente consumido, dado suas características estimulantes. Tendo como principais importadores Estados Unidos e Europa, o Brasil passa a movimentar importantes valores em exportação, o que elevou significativamente sua importância, tornando-se o maior exportador de café do mundo.

Quem gerava tanta riqueza

As fazendas cafeeiras funcionavam seguindo o sistema de Plantation, ou seja, tratavam-se de latifúndios monocultores que objetivavam a exportação do produto, utilizando para isso força de trabalho escrava.

Infelizmente a escravidão é uma marca lamentável de grande parte da história do nosso país e das riquezas geradas ou produzidas ao longo do tempo, entretanto o ciclo do café apresenta uma peculiar e importante relação com esse processo.

Inicialmente toda mão de obra utilizada era escrava, entretanto com a proibição do tráfico negreiro e, posteriormente, da escravidão no final do século XIX os cafeicultores se viram com uma ausência crônica de mão de obra para o trabalho.

Frente a isso, e atrelado a uma campanha eugenista de branqueamento populacional, o governo brasileiro estimulou a vinda de imigrantes para trabalharem de forma assalariada nas fazendas. Durante esse período tivemos uma massiva entrada de imigrantes no Brasil, principalmente italianos e alemães, os quais atualmente são parte importante na composição do “povo brasileiro”.

Destaque para o Sudeste

O ciclo do café e sua importante contribuição para a economia nacional transformou a região Sudeste no centro político e econômico do Brasil.

Os lucros obtidos com o café foram essenciais para modernização e desenvolvimento industrial e urbano, tornando a região Sudeste muito distinta das demais. Ferrovias foram construídas para escoar a produção cafeeira até o porto de Santos, diversas cidades surgiram no interior paulista e os lucros obtidos com o café foram essenciais para o processo de industrialização brasileira.

Com tantos benefícios a monocultura cafeeira cada vez mais expandia-se por parecer que finalmente os latifundiários haviam achado a sua “galinha dos ovos de ouro”, tendo alcançado o norte do Paraná e sul de Minas. A produção crescia tanto que nos anos iniciais do século XX o Brasil passou a produzir mais café do que o mercado poderia absorver o que é um grande problema. Para tentar amenizar a desvalorização do produto no exterior, o governo brasileiro estipulou diversas medidas protetivas em diferentes momentos, mas nada se mostrou realmente efetivo. O golpe derradeiro à supremacia do café veio com a crise de 1929, em que muitos cafeicultores faliram e grandes propriedades foram sendo divididas, dando origem a um novo ciclo.

Entretanto, mesmo com todas suas crises e problemas, o café permaneceu com expressão massiva dentre as exportações e fonte de lucro para o Brasil até a atualidade.

O café no Brasil nos dias de hoje

O Brasil ainda segue sendo o maior produtor de café no mundo, correspondendo a ⅓ de todo café produzido mundialmente. Segundo a Embrapa, no ano de 2020 a produção brasileira de café foi estimada em 61,62 milhões de sacas de 60kg, o que representa um aumento de 25% em relação à safra de 2019, sendo Minas Gerais o principal estado responsável por esses resultados. Tratando-se de valor bruto de produção, a estimativa para a lavoura brasileira em 2020 é de R$ 519,08 bilhões.

Mesmo depois de tanto tempo o café ainda configura-se entre as cinco principais culturas brasileiras em termos de arrecadação, ficando atrás apenas da soja, milho, cana-de-açúcar e algodão.

É notório que ainda na atualidade e por muito tempo as marcas e o legado da cafeicultura permanecem e permanecerão na história brasileira. Com isso, constatamos que ainda hoje falar de café é falar de Brasil e falar de Brasil é falar de café. Falando nisso, vai um cafezinho aí?

 

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